quinta-feira, 17 de abril de 2008

mas é que eu fico nervosa...

claro, como todo mundo.
de pequena eu não lembro, mas lembro que já com 11, minha mãe cobrava pq eu roía tanto as unhas. e eu respondia 'pq eu fico nervosa...' 'mas nervosa de quê?!'. era de admirar mesmo. não me faltava nada, faltava? não. mas é que eu ficava nervosa.
Depois eu comecei a roer os dedos (é...). Mordia em volta das unhas até sair sangue, meus lindos dedinhos não sabiam o que era viver sem estar em carne-viva, completamente descascados. mas é que eu ficava nervosa.
Mas aí eu fiquei vaidosa, passei a usar as unhas longas, sempre feitas, meu xodó. E pra ver o quanto eu era burra, o máximo tempo que passo sem ouvir um elogio às minhas mãos até hoje, é 2 dias. Tem sempre alguém comentando algo - e confesso, as unhas sempre cuidadas e lindas é meu xodó.
mas só com uns 17, 18 um amigo entendeu o que eu queria dizer: não era nervosa de brava, era de personalidade. De ser agitada, de ser ansiosa, de não saber esperar, de querer que resolvesse logo, de não poder resolver tudo com as próprias mãos, da minha cabeça rodar a 200km/h e a velocidade máxima permitida ser 40km/h.
e hoje, eu mordo os lábios. Vivem descascando, com pequenas marcas vermelhas - a paz deles dura o tempo necessário para que uma nova pele nasça, e eu arranque ela em qualquer ataque de nervosismo. Sem ver, pq eu não fico brava, eu fico nervosa.
=/
Daí hoje, pra parar de chorar, eu pensei 'putz, minha boca tá estourada, vai sangrar se eu morder...', e o que eu fiz? ataquei as unhas, arranquei o esmalte, e me peguei mordendo-as à 5 minutos atrás, quando resolvi vim escrever - isso mantém minha mente e meus dedinhos lindos ocupados.
mas é que eu fico nervosa, sabe como é, né.
eu tou olhando, pensando. com medo de ter tomado uma atitude errada, de não ser nada disso, de realmente ser eu a pé no saco que resolveu agora que está carente. alguém me disse que com 2 anos de namoro, as coisas são assim mesmo...será que é? não sei. e eu gosto tanto tanto de vc. putz.




Em trabalhos práticos de física, qualquer aluno pode fazer experimentos para verificar a exatidão de uma hipótese científica. Mas o homem, por ter apenas uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese por meio de experimentos, por isso não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a seu sentimento.
Milan Kundera ( A Insustentável leveza do ser)



ps.: pra constar: gente, o neném da blogueira Tanda nasceu.

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