Eu não tenho vocação pra ser doida, mas tenho pra ser Intense e qualquer doiderazinha vira surto.
Acordei atrasada mas a tempo, sentei na cama, tive uma crise de choro, deitei de novo, acordei: não quero ir na empresa hoje. Não quero, não vou, pqp que que eu faço? não posso simplesmente ir matando serviço assim, mesmo que eu queira sair de lá e o mais breve possível - ainda preciso pagar minhas contas, e não manchar minha reputação. Mas, AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH, o que que eu faço?
Liguei lá, inventei uma desculpa sem pé, sem cabeça, não vou e ponto final. Tou malz, vou acabar mandando algum chato ir tomar no cu, vai ficar pior. Mas, se alguém acha que eu faço isso e fico bem, ixi ixi ixi...fico malz tb, de ficar em casa, de me esconder no quarto, de acabar chorando mais, de deixar meu emocional me vencer pq o racional já entrou em colapso.
Fico mal de ver a carinha da minha mãe desolada, sem compreender, dizendo 'então não vai, filha, inventa algo...'.
Fico mal de admirar pela enésima vez a paciência linda e pura do meu namorado, atendendo telefone de madrugada e me explicando o que eu já sei, me pedindo calma, me pedindo pra aguentar mais um pouco que tudo vai se resolver, e mesmo diante das minhas fraquezas conseguir me admirar.
Tem dias que é muito foda ser quem a gente é.
Eu vou voltar pra cama, são 7h30, meu 'surto básico' começou era 5h45, e imagino que o dia vai ser longo. A vontade que dá as vezes é dar um soco num espelho, numa parede, romper uma imagem e causar alguma dor, que me desfoque, que me condene, que vá me punir por tudo isso.
E tudo isso só me faz lembrar da frase que embalou minha adolêscencia e meus primeiros surtos, e a esperança que eu tinha - ou tenho - de alguma luz restante do iluminismo clarear meu caminho e minhas idéias...
"A felicidade que preciso não é a de fazer o que quero, mas a de não fazer o que não quero."
Rousseau
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