sábado, 26 de janeiro de 2008

Manias, manias e mais manias - Parte II

"Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada fácil de entender."
Pais e filhos - Legião Urbana



Ela colocou um vestido, soltou o cabelo, e saiu de casa. Ela pulou num lago - ou numa fonte, como é conhecido na região. Era fundo, tinha água, mas ela pulou onde tinha uma pedra. Uma pedra grande, larga, que existia só de um lado, só num lugar. E que ela sabia que estava ali. Ela deixou muitos filhos pequenos, um marido, uma familia grande, uma vizinhança curiosissima. Ela deixou de perguntar 'o que eu faço', deixou de pentear o cabelo, deixou de beijar o marido, deixou de embalar os filhos. Deixou de ver o sol, deixou de correr da chuva, deixou de cantar no quintal, deixou de lavar roupa no rio. Ela deixou tudo, e pulou no lago. Como se fosse simples assim. Simples assim.

Eu sempre me perguntei POR QUE as pessoas se matam, como as pessoas se matam. Não digo modo, digo...em que ponto a dor deixa de ser dor, pra virar algo insuportável. Em que ponto se separa aquele cansaço que a gente sente da vida as vezes, com o cansaço que faz alguém deixar tudo, e achar isso melhor. Em que ponto a dor de deixar tudo é preferivel. Em que ponto a pessoa corta os pulsos e aguenta ver o sangue escorrer até desmaiar, em que ponto a pessoa dá um tiro na cabeça e espera alguém encontrar ela desfigurada, em que ponto a pessoa se enxe de remédios e dorme devagarzinho, em que ponto a pessoa se joga num lago onde sabe que tem uma pedra e deixa tudo.

Não é estranho?

Eu não conhecia ninguém que tenha se matado. Só um garoto. Um colega. Vinicius. Que até hoje a gente não sabe se ele se matou, ou se foi um acidente. E ele tinha 16 anos.
Você conhecia alguém que se matou?


Eu não sei pq, eu sempre pensei nisso, mas hoje quando li o post da Lile "Manias, manias e mais manias" (http://abacatebatido.blogspot.com/) me deu vontade de escrever sobre isso. E eu escrevi.

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